Levando sua equipe corajosamente onde nenhum líder jamais foi

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A ideia de escrever algo sobre liderança no blog tem três motivos principais. O primeiro é que liderança é um tema muito discutido desde a faculdade até o dia a dia das organizações. O segundo é que constantemente vejo posts felizes tentando decifrar o que é ser um líder. E por fim, por que eu terminei de assistir Star Trek: The Next Generation e acho que o Capitão Picard é o melhor exemplo de líder que eu já conheci.

O Capitão Jean-luc Picard foi o capitão da Enterprise 1701-D e 1701-E na série Next Generation, que se passa cerca de 80 anos após a tripulação do Capitão Kirk ter se aventurado no quadrante Alfa, e também nos filmes. Durante 7 temporadas, e mais algum tempo de cinema, Sir Patrick Stweart demonstrou como um verdadeiro precisa atuar no dia a dia. E eu não sou o único a pensar assim, a Forbes também falou sobre o Capitão neste artigo aqui.

Apresentando a Série

Acredito que muitos não conheçam ou não tenham assistido Star Trek, menos ainda a sequência lançada em 1987 Star Trek: Next Generation, por isso acho que vale um introdução. Isso não quer dizer que você está certo em não conhecer, deveria, mas fazer o quê?

A série Star Trek: The Next Generation teve sete temporadas começando em 1987. Ela conta história de uma nave estelar com a missão de explorar novos planetas e formas de vida, e que coloca a sua tripulação diante de grandes conflitos com frequência, o que exige uma grande liderança para superar as situações e mais que isso, exige soluções criativas.

Diferente de outras histórias, nessa série o capitão não é um super-humano, o Mac Gyver que tem todas as respostas e resolve tudo com chiclete e clips de papel. Apesar de sua experiência e todo o conhecimento que tem (e que o levaram até a sua posição) em vários episódios, de cada uma das sete temporadas, podemos ver os seus oficiais reunidos em uma sala propondo ideias e planos de ação que ajudem a resolver o problema com o qual eles se depararam.

Sobre Liderança:

Agora um pouquinho de teoria. A verdade é que ser líder é uma tarefa muito complicada, além de ser responsável por alcançar os objetivos da sua organização, você tem que fazer isso com o apoio de várias pessoas, e que normalmente são completamente diferentes de você.

O livro A Teoria Geral da Administração aborda as principais teorias sobre administração ao longo do tempo. Entre tantas teorias que surgiram ao longo dos anos, existe um modelo

que divide os estilos de liderança em três grupos:

  • Lideranças autocrática: O líder toma decisões sozinho e não consulta o grupo
  • Liderança liberal: O líder tem pouca participação e o grupo se “auto” gerencia.
  • Liderança democrática: As decisões são tomadas em grupo e avaliadas e discutidas por todos.

Inicialmente podemos achar que o líder autocrático seja um líder ruim e o Democrático o Bom, mas a verdade que o Capitão Picard nos mostra é que a posição de um líder depende do momento e da realidade na qual ele se encontra.

Posicionamento

Democrático

Se existe uma coisa interessante sobre o Capitão Picard é que ele sabe o que não sabe. Pode parecer estranho, mas muitos líderes acreditam que sabem, ou que deveriam saber tudo, e isso é simplesmente impossível.

Jean-luc Picard sempre teve o objetivo de ser um grande capitão e se preparou para isso, mas sua grande especialidade é a arqueologia. Veja que diferente de outros líderes ele não é um grande guerreiro, ou um grande engenheiro ou um administrador e isso faz com que ele dependa do conhecimento de cada membro da sua equipe para achar boas soluções para cada situação que eles encaram dia após dia.

Como citei antes, durante todas as sete temporadas a equipe sempre se reúne para analisar cada situação e propor possíveis planos de ação conforme suas especialidades. A equipe é diversificada e mesmo quando um problema é específico membros de outras área participam, são ouvidos e respeitados. As ideias normalmente se constroem em conjunto, mas cabe ao capitão definir qual será o plano em si que será seguido.

Uma característica importante é que ele escuta a todos, mesmo o Wil Wheaton (sim o o cara do The Big Bang Theory) que interpreta o jovem Wesley Crusher. Na história ele é um jovem brilhante que se torna parte da equipe e membro do time principal em reconhecimento aos seus talentos.

Liberal

O posicionamento liberal também pode ser observado em alguns momentos. O engenheiro George La Forge, por exemplo aplica testes e melhorias constantes no motor de dobra da nave. Assim como o tenente Worf, responsável pela segurança e estratégias de combate tem liberdade para realizar simulações com a sua equipe.

O que quero posicionar é que apesar de que em situações extremas a decisão cabe ao Capitão, no dia a dia há liberdade para que a equipe tenha iniciativa e busque melhorar, desde que apresente resultados.

Autocrático

Como eu havia citado, existem momento em que cada um dos perfis precisa ser desenvolvido, mesmo o autoritário. Em determinados momentos almirantes e generais, com patentes superiores ao Capitão Picard definem missões que precisam de sigilo, por exemplo, mesmo com a equipe.

Em casos como esse o Capitão é proibido de informar a equipe dos seus planos e ainda sim precisa do apoio de cada membro do time. Isso não significa que não há desconforto durante esses períodos e conflitos acontecem com maior frequência e facilidade.

Em momento como esse um líder precisa de sua equipe unidade e para isso ele precisa contar com seus gestores de área, nesse caso os tenentes, para que eles mantenham a ordem nos seus setores, mesmo que eles também não entendam com clareza o que está acontecendo.

Esses momentos são críticos e eles podem acontecer por diferentes motivos. Para um líder a confiança da equipe é essencial e ela será abalada por essa situação. é preciso que durante todos os outros momentos o líder tenha construído uma relação de confiança e companheirismo para que toda a tripulação continue seguindo seus comandos, mesmo quando não conhecerem o caminho que irão traçar.

 Foco nos objetivos

Outra característica é a sua lealdade à Federação do Planetas. Se você não viu a série (e é só um poser, hehe) entenda a Federação como a organização Militar e a Enterprise seria uma das principais sedes da empresa.

A grande questão aqui é que a Federação tem um objetivo claro de criar alianças que permitam a todos os planetas evoluir juntos, dividindo tecnologias e recursos. Existem inimigos da Federação fazem ser necessário que todos estejam em alerta, mas o foco deve ser a exploração (no sentido de buscar conhecimento) e não a guerra.

 

Em alguns momentos líderes superiores a ele e que se preocupam mais com o poderio e com a expansão da Federação se posicionam contra os ideias da organização e é preciso que o Capitão se posicione contra seus superiores.

Isso significa que para um líder é importante saber quando dizer não aos seus superiores. È preciso manter os objetivos e planos da organização em foco e direcionar a equipe para eles. Oportunidades irão aparecer, mas é importante avaliar como elas se relacionam com o objetivo da organização.

 Confiança na tripulação

Já falei de como as decisões são tomadas na Enterprise-D, mas existem outros aspectos da liderança do capitão Picard que valem ser lembrados. Apesar de ser baseada na relação do capitão e seus oficiais, fica claro que todos os membros da tripulação sabem quem é Jean-Luc Picard e o respeitam.

Por outro lado, tendo uma tripulação de mais de mil seres (sim, alienígenas de várias espécies), nem sempre é possível para o capitão conhecer a todos, mas isso não significa que ele não os respeita igualmente.

No episódio 21 da terceira temporada o chefe da engenharia e o primeiro oficial da nave estão discutindo o destino de um membro da engenharia que parece não se enquadrar nos padrões da Enterprise. Depois de vários atrasos e da dificuldades que o tenente tem em se comunicar, a decisão parece óbvia e ambos os oficiais estão certos de que ele não serve para a equipe da Enterprise.

Acontece que o capitão conhece o tripulante e esse personagem possuía ótimas referências de seus cargos anteriores. Sim, o tenente Barclay era extremamente competente, tanto quanto o próprio chefe da engenharia. Porém no mesmo nível em que ele é competente ele é introvertido.

Diante dessa situação ao invés de ouvir seus oficiais, o capitão decide que o tenente não deixará a equipe até que todos os esforços tenham sido feitos para que ele dê seu melhor, além do mais, ele faz parte da tripulação da Enterprise e por isso não ficará para trás. Um bom líder precisa aceitar que existem diferenças entre os integrantes da sua equipe (respeitando alguns limites), e saber que quando bem alocados, os conhecimentos de cada um podem ser valiosos para o grupo.

O legado

O Capitão da Enterprise NCC 1701-D tem ainda um outra característica entre tantas que impressiona. Além de ser um bom líder ele também cria bons líderes capazes de o substituir no comando quando necessário e até mesmo de atuar com capitães de suas próprias naves. Cada um dos oficiais que assumem o comando da Enterprise ou de outra nave durante a série demonstram grande capacidade para executar a tarefa.

Os oficiais carregam consigo características da liderança do próprio Capitão Picard, mas sem deixar sua própria essência de lado. Isso significa que eles admiram a forma de liderança do Capitão e conseguiram internalizar os conhecimentos passados por ele.

Ser líder é também investir no desenvolvimento da equipe, gerar oportunidades de crescimento e ser um exemplo ( as pessoas tem que escolher você como exemplo e não que você tenha que se enxergar como um).

Um líder não deve ter medo de gerar bons líderes na sua equipe, ele deve contar com isso. Faz parte do processo que algumas pessoas se tornem gestores de outras áreas, que alguns se desliguem da empresa para gerir equipes em outros locais. O  bom líder entende que nenhuma equipe é imutável e não faz sentido criar um equipe estática, que não aprende. Um gestor escolhido como modelo de liderança deveria ter grande orgulho.

Concluindo

Diferente do que se vê nas frases de efeito e nos post bonitos do Facebook, que os grandes especialistas divulgam, não há uma fórmula correta para se tornar um líder, ou um método exato e isso porque existem muitas situações nas quais uma pessoa pode se tornar líder, e nem sempre por vontade própria. Não apenas isso, mas cada equipe precisará encontrar sua própria forma de funcionar.

O que deve ficar claro é que o líder deve ser focado nos objetivos da organização e balancear seus interesses com as necessidades da equipe. Para que isso possa acontecer é necessário que a confiança entre todas as partes seja construída e fortalecida ao longo do tempo, cabe ao bom líder descobrir como. A única dica que posso dar é que somente será possível alcançar esse grau de liderança através do respeito.

O Joey não compartilha a comida, mas você pode compartilhar esse post.
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